quarta-feira, 17 de abril de 2013

POEMA AO ENCONTRO COM A SUBJETIVIDADE


POEMA AO ENCONTRO COM A SUBJETIVIDADE

Que somos, excelentemente e essencialmente, afinal?
O que nos torna, simultaneamente, corpo e alma?
Será o problema mais importante que sua resolução?
É o poeta, medíocre ante a poesia?

Quantos e tantos eruditos buscaram respostas.
Viveram a procura da essência e do princípio do cosmos, da physis, do homem.
Poderia o homem, em sua petulância avassaladora,
Teorizar misterioso e ontológico conhecimento desconhecido?

Muitos especularam e outros hipotetizaram.
Os modernos revolucionaram com sua perfeita Razão e o seu conhecimento inato.
Mas, eis em algo no qual concordo com Descartes: que duvido.
Como limitar o desconhecido à apreensão do que já nasceu limitado.

Os medievais dogmatizaram o conhecimento! Essa crítica ressoa pelos séculos.
Porém, se arraigamos nas mentes que a razão a priori é o conhecer puro;
Ou que, só se pode conhecer a partir da experiência
O que será, então, tal consentimento?

Talvez a única distância que existe entre os sábios seja somente o Cronos.
Uns buscaram seus objetivos através de grandes teorias;
Já outros, afundaram-se em inexauríveis sistemas e plausíveis métodos.
Vejam!  Suas teorias, sistemas e métodos não se coincidem?
As épocas nascem, morrem e nascem novamente, mas a busca é a mesma: desvelar o velado.
Acreditou-se por muito tempo em paradigmas divinos como verdade perpétua.
Houve momentos em que o experimental e o sensualismo ditavam as regras.
Insistiu-se, por vários anos, piamente em uma “Ideia” (suprema).

Imanentemente esta é a condição do homo sapiens sapiens:
Explicar o inexplicável; alcançar o inalcançável.
Já dizia Popper, em relação à aquisição da verdade, que só podemos conjecturar.
O homem pode, portanto, afirmar que dela se aproximou, mas não a tocou.

Por mais que tentemos entender o oculto,
A essência das coisas e do ser em si,
Permaneceremos, até o atual momento se evidencia, neste constante jogo paradoxal:
Só conheceremos o que dele desconhecemos.

Que somos, de fato, afinal?
Somos atributos concebidos pela nossa subjetividade.
Formas teóricas, oriundas de convenções intelectuais em consenso.
Não somente isso! Somos natureza postergada e imanente ao futuro, ao incompreensível.

Somos imaginação, pura metáfora!
Cavaleiros honorários da racionalidade:
Que cria e recria o seu reino que nunca foi e jamais será... a verdade!
É apenas suas construções linguísticas ludibriantes.

Volta e meia intitulamo-nos grandes e poderosos.
Lançamo-nos no mar da soberba e da vaidade.
Montamos e remontamos universos, falaciosos, conceituais.
Brincamos e nos filiamos à mentira chamando-a de verdade.

Ouçam principados e potestades da “Ratio”:
Como insistem em proclamar, ao som de trombetas, a prisão da verdade?
Não será audacioso de vossas partes asseverarem que a detém,
Já que, pouco se preocuparam com a “coisa em si”?

Oh, ínfima subjetividade vaidosa
Que fique claro que somos inerentes! Corpo e alma!
Não temos e nem construímos a verdade... somente ela mesma pode dar-se.
E, vez e outra, se mostra a nós como fagulha de brasa, que ao menor sopro natural se apaga.

Que entendas minha querida metade,
Assim como dizia o filósofo, já nascemos na perspectiva de um fim.
Esta (e não outras) é a única certeza que temos:
Somos enquanto somos e deixamos de ser porque somos.

                                                                                                                          Enderson Pereira.


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