quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Dica de site literário interessante!

Escolhemos o site www.clarissacorrea.com, porque nos identiticamos com o trabalho literário da autora. Conhecemos os textos dela através de sua página no facebook. 

Pontuamos aspectos positivos e negativos do site:

POSITIVOS:

- O uso de imagens que chamam a atenção do leitor. A autora, às vezes, põe trechos dos seus textos nas imagens, o que os deixam interessantes;

- O layout escolhido e as cores do site (da fonte, do fundo e do banner) são leves e combinam com a proposta do site, que é provocar reflexão através dos textos;

- O site está em formato de blog. A página vai rolando para baixo à medida que o internautra lê, o que gera conforto e facilidade no acesso;

- O site também possui links que direcionam o internauta ao "Perfil da autora", "Livros de sua autoria", etc. (Os links são abertos sem que o internauta precise abrir novas abas).

- Há vídeos de propagandas de seus livros publicados. A exposição destes vídeos é um convite dinâmico à leitura.

-  O site também disponibiliza o e-mail da autora, para que os visitantes entrem em contato com a mesma.

NEGATIVOS:

- No site falta uma opção para o leitor comentar as postagens da autora.

- Ela poderia criar também um espaço para o leitor enviar textos de sua autoria, e por meio de um sorteio, poderia publicar alguns dos textos enviados uma ou duas vezes por mês. Isto estimularia o visitante a voltar mais vezes ao site. 

Links e espaços importantes do site de Clarissa para o desenvolvimento de um site educacional.

- O layout do site de Clarissa poderia ser utilizado para a criação de um site educacional.

- A inclusão de links no site que direcionam o leitor para caminhos que se abrem dentro da própria página do site. Este é um modelo muito bom, pois evita que o internauta tenha que abrir novas abas e se perca em seus objetivos de leitura.

SUGESTÕES:

- Para um site educacional, seria interessante ter um espaço de publicação de vídeos da autora do site explicando como fazer um bom texto e divulgando formas que ela usa para desenvolver seus textos.

Objetivo do site educacional que pretendemos elaborar:
Incentivar a prática da leitura e da escrita, utilizando a internet.

Dupla: Bruna Leal e Maria das Graças.
Letras Vernáculas IV.

Pesquisa- Sites, blog, redes e portais na área de Letras

Socialize nos comentários desse post a pesquisa realizada em sala.
Liste em sua pesquisa:
3 pontos negativos  encontrados no site
3 pontos positivos
Justifique  a sua escolha pelo site indicado;
Aponte os links úteis, espaços e sessões importantes que devem constar em site educacional; 


quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Leitura da semana

A proibição do celular nas escolas faz sentido?
“A principal meta da educação é criar homens que sejam capazes de fazer coisas novas, não simplesmente repetir o que outras gerações já fizeram. Homens que sejam criadores, inventores, descobridores. A segunda meta da educação é formar mentes que estejam em condições de criticar, verificar e não aceitar tudo que a elas se propõe.”
A frase, de Jean Piaget, não poderia ser mais atual, mas precisa encontrar eco nos novos desafios agora impostos aos educadores na formação de uma geração de estudantes que são nativos digitais.
Não é incomum ouvir pessimistas de plantão incrédulos com a adoção das novas tecnologias nas escolas, especialmente nas instituições públicas, que recebem estudantes com condições sociais mais precárias, sob o argumento de que não só não há recursos para investir na compra de equipamentos e de que a escola tem outras prioridades mais urgentes, mas também de que estes jovens não teriam a cultura necessária para utilizar computadores, tablets, softwares ou pesquisar na Internet.
Será mesmo? Antes de fazer uma análise do ambiente escolar, cabe avaliar o comportamento desta nova geração no acesso e uso das tecnologias digitais. Basta um olhar mais atento para perceber que, assim como aconteceu com o rádio e depois com a TV, os celulares, os tablets e computadores, de uma forma geral, estão cada vez mais presentes nos domicílios das classes menos favorecidas, criando assim um cenário bastante favorável para adoção deste tipo de tecnologia nas escolas.
crédito Nomad_Soul/ Fotolia.comhttp://porvir.org/wp-content/uploads/2013/07/Celular-na-Sala-601x275.jpg
 .                                                                                     
De acordo com recente pesquisa realizada pelo CEBRAP (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) com o apoio da Fundação Victor Civita com estudantes do Ensino Médio, com faixa etária entre 15 e 19 anos, residentes em São Paulo e Recife e renda familiar inferior a R$ 2,5 mil, quase 60% possuem um celular ou tablet com acesso à Internet e mais de um quarto deles já os utilizou para estudar e realizar atividades escolares.
Ao invés de coibir o uso do celular, as escolas deveriam incorporá-lo como um recurso que já tem uma forte ligação com a rotina dos estudantes. Se bem aplicados e com um planejamento bem elaborado, eles podem contribuir fortemente para envolver os alunos em um processo de aprendizagem baseado em projetos, envolvendo atividades desafiadoras e que são conectadas ao cotidiano do aluno. As escolas devem estimular a criação de conteúdos e o desenvolvimento de projetos educacionais e pedagógicos que o transformem em uma poderosa ferramenta de ensino e aprendizagem.
Está nas primeiras páginas dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) que o objetivo final do Ensino Médio é preparar o aluno para dar continuidade aos seus estudos, ingressar no mercado de trabalho e exercer sua cidadania. Mas será que a organização de nossas estratégias de ensino estão suportando efetivamente estes desafios?
Agregar o celular como ferramenta pedagógica já pode ser um excelente começo. Proibir seu uso nas escolas faz com que os alunos se sintam em um presídio, de acordo com a pesquisa desenvolvida pelo CEBRAP
Ao que tudo indica, ainda não. Em pesquisa realizada com 63 presidentes de grandes empresas, publicada pela revista Você S/A, os mesmos mencionaram que buscam jovens que saibam se comunicar bem pela oralidade e pela escrita, tenham um bom raciocínio lógico, saibam pesquisar, se relacionar bem, usar tecnologias, administrar bem o tempo, preservar o meio ambiente e fazer trabalho voluntário. Ou seja, muito mais do que pessoas com conhecimento técnico, as empresas estão buscando pessoas que tenham atitude, iniciativa, criatividade e resiliência.
Para que a escola consiga engajar e motivar estes alunos da geração que já nasceu digital é preciso avaliar alguns pontos, como se a grade curricular que está sendo trabalhada é relevante e faz sentido para os alunos; se as estratégias de ensino são instigantes e desafiantes, colocando o aluno no centro da aprendizagem e colaborando no desenvolvimento de suas competências e habilidades básicas para serem mais participativos na sociedade; e, claro, se os recursos que apoiam estas iniciativas são os mais adequados.
O celular pode permitir aos alunos pesquisar na Internet, criar textos, gravar vídeos, tirar fotos, produzir podcasts, armazenar dados e compartilhar todo material nas redes sociais e blogs, possibilitando, inclusive, desenvolver projetos colaborativos envolvendo alunos de várias escolas e até mesmo de outros países, entre diversos outros recursos que irão tornar o processo de ensino e aprendizado muito mais empolgante.
Adotar as tecnologias digitais na educação é um caminho sem volta. Mas não é preciso reinventar a roda. Agregar o celular como ferramenta pedagógica já pode ser um excelente começo. Proibir seu uso nas escolas faz com que os alunos se sintam em um presídio, de acordo com a pesquisa desenvolvida pelo CEBRAP.
Já há diversas empresas desenvolvendo softwares e aplicativos para smartphones com fins educacionais. Afinal, se o celular é uma ferramenta para uso profissional, por que os alunos não podem utilizá-la na escola? Um dos principais papéis da escola não é justamente preparar os estudantes para o mercado profissional? Então, qual o sentido de obrigar o aluno a deixá-lo em casa?
POR LUCIANA MARIA ALLAN
por Luciana Maria Allan
Diretora do Instituto Crescer para a Cidadania e doutora em educação pela Universidade de São Paulo (USP) com especialização em tecnologias aplicadas à educação
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sábado, 31 de agosto de 2013

Textos 2- Práticas pedagógicas IV

As tecnologias invadem nosso cotidiano

Vani Kenski1
As nossas atividades cotidianas mais comuns - como dormir, comer, trabalhar, nos deslocarmos para diferentes lugares, ler, conversar e se divertir - são possíveis, graças às tecnologias a que temos acesso. Elas estão tão presentes em nossas vidas que já nos acostumamos e nem percebemos que não são coisas naturais. Tecnologias que resultaram, por exemplo, em talheres, pratos, panelas, fogões, fornos, geladeiras.... alimentos industrializados... e muitos outros produtos, equipamentos e processos que foram planejados e construídos para podermos realizar a simples e fundamental tarefa que garante a nossa sobrevivência: a alimentação.
Da mesma forma, para todas as demais atividades que realizamos em nossas vidas, precisamos de produtos e equipamentos resultantes de estudos, planejamentos e construções específicas para serem utilizados, na busca de melhores formas de viver. Ao conjunto de conhecimentos e princípios científicos, que se aplicam ao planejamento, à construção e à utilização de um equipamento em um determinado tipo de atividade nós chamamos de "tecnologia". Para construir qualquer equipamento - seja uma caneta esferográfica ou um computador - os homens precisam pesquisar, planejar e criar tecnologias.
Nas atividades cotidianas lidamos com vários tipos de tecnologias. As maneiras, jeitos ou habilidades especiais de lidar com cada tipo de tecnologia, para executar ou fazer algo, nós chamamos de técnicas. Algumas dessas técnicas são muito simples e de fácil aprendizado. São transmitidas de geração em geração e integram os costumes e hábitos sociais de um determinado grupo de pessoas. Outras tecnologias exigem técnicas mais elaboradas, habilidades e conhecimentos específicos e complexos.
Existem muitos outros equipamentos e produtos que utilizamos em nosso cotidiano e que não os notamos como tecnologias. Alguns invadem o nosso corpo, como próteses, alimentos e medicamentos. Óculos, dentaduras, comidas e bebidas industrializadas, vitaminas e outros tipos de remédios são produtos resultantes de tecnologias sofisticadas.
Como podemos deduzir, dificilmente a nossa vida cotidiana seria possível, neste estágio de civilização, sem as tecnologias. Elas invadiram definitivamente o nosso cotidiano e já não sabemos viver sem fazer uso delas. Por outro lado, nos acostumamos tanto com os produtos e equipamentos tecnológicos que os achamos quase naturais. Nem pensamos o quanto foi preciso de estudo, criação e construção para que estas tecnologias chegassem em nossas mãos.
As tecnologias não são apenas feitas de produtos e equipamentos.
Existem outros tipos de tecnologias que vão além dos equipamentos. Em muitos casos, alguns espaços ou produtos são utilizados como suportes, para que as ações ocorram. Um exemplo: as chamadas "tecnologias da inteligência" (Lévy, 1993), construções internalizadas nos espaços da memória das pessoas e que foram criadas pelos homens para avançar no conhecimento e aprender mais. A linguagem oral, a escrita e a linguagem digital (dos computadores) são exemplos paradigmáticos desse tipo de tecnologia.
Articuladas às tecnologias da inteligência nós temos as "tecnologias de comunicação e informação" que, através de seus suportes (mídias ou meios de comunicação, como o jornal, o rádio, a televisão) realizam o acesso, a veiculação das informações e todas as demais formas de articulação comunicativa, em todo o mundo.
As tecnologias de comunicação e informação invadem o nosso cotidiano
Estamos vivendo um novo momento tecnológico. A ampliação das possibilidades de comunicação e de informação, por meio de equipamentos como o telefone, a televisão e o computador, altera a nossa forma de viver e de aprender na atualidade.
Antigamente as pessoas saíam às ruas ou ficavam nas janelas de suas casas para se informarem sobre o que estava acontecendo nas proximidades, na região e no mundo. A conversa com os vizinhos e os viajantes garantia a troca e a renovação das informações. Na atualidade, a "janela é a tela" diz Virilio. Através da tela da televisão, é possível saber de tudo o que está acontecendo em todos os cantos - desde as mais longínquas partes do mundo até as nossas redondezas. Da nossa sala, através da televisão, podemos saber a previsão do tempo e o movimento do trânsito, nos informarmos sobre as últimas notícias, músicas, filmes e livros que fazem sucesso e muito mais.
O conteúdo oferecido pelos programas televisivos passou a orientar as nossas vidas. Pessoas de todas as idades, condições econômicas e níveis intelectuais começaram a viver "ligados na televisão". Algumas pessoas chegaram "no limite": trocaram de lado. Assumiram em suas vidas valores, hábitos e comportamentos copiados dos personagens da televisão. Viraram também "personagens". Não conseguem mais viver distantes da televisão e assimilam acriticamente tudo o que é ali veiculado.
A televisão, por sua vez, aproxima-se cada vez mais da realidade cotidiana. O sucesso dos novos programas ("reality shows") como "Casa dos Artistas" e "Big Brother Brasil" mostra o quanto a vivência cotidiana das pessoas alimenta o "show" oferecido pela mídia. A ficção confunde-se com a realidade produzida no espaço artificial dos cenários televisivos. Artistas e pessoas comuns vivem um cotidiano totalmente documentado e exibido e que desperta a curiosidade geral do grande público. A exibição da "performance" das pessoas em cenas de intimidade cotidiana explícita (dormir, comer, tomar banho, namorar) diante da tela confunde os pensamentos, sentimentos, julgamentos e ações dos telespectadores.
A mídia televisiva como tecnologia de comunicação e informação invade o cotidiano e passa a fazer parte dele. Não é mais vista como tecnologia, mas como complemento, como companhia, como continuação do espaço de vida das pessoas. Por meio do que é transmitido pela televisão, as pessoas adquirem informações e transformam seus comportamentos. Tornam-se "teledependentes", consumidores ativos, permanentes e acríticos de tudo o que é oferecido pelo universo televisivo.
Este é um dos maiores desafios para a ação da escola diante do que é veiculado pela televisão na atualidade. Viabilizar-se como espaço crítico em relação às informações e manifestações veiculadas pela TV. Aos professores é designada a importante tarefa de refletir com os seus alunos sobre o que é apresentado pela televisão, suas posições e problemas. Reconhecer a sua interferência no modo de ser e de agir das pessoas e na própria maneira de se comportar diante do seu grupo social, como cidadãos.
Apropriando-se das palavras de Umberto Eco (1997), "nós precisamos de uma forma nova de competência crítica, uma arte ainda desconhecida de seleção e decodificação da informação, em resumo uma sabedoria nova" É preciso saber aproveitar a liberdade e a criatividade do espaço televisivo mas, ao mesmo tempo, aprender a definir os limites, a consciência crítica, reabilitar os valores e fortalecer a identidade das pessoas e dos grupos. Desafios de hoje a serem enfrentados por todos nós, professores.


Referências bibliográficas:
ECO, Umberto. From Internet to Gutenberg. 1997. (documento eletrônico: <http://www.italynet.com/columbia/internet.htm>)
LÈVY, Pierre. Cibercultura. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1999.
VIRILIO, Paul. O espaço crítico. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1994.
NOTAS:

1 Professora, com mestrado (UnB) e doutorado em Educação (UNICAMP). Representante do Grupo de Trabalho Educação e Comunicação no Comitê Científico da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduaçãao em Educação-ANPED. Pesquisadora do CNPq. Atualmente é pesquisadora-docente da USP e da UMESP. Coordenadora do grupo de estudos e pesquisas Memória, Ensino e Novas Tecnologias-Ment. Orienta pesquisas de mestrado e doutorado e é autora de artigos e livros sobre esses temas.

Texto 1- Práticas Pedagógicas IV-



Técnica, Tecnologia e Ciência (I)
(*) Milton Vargas
A Tecnologia chegou, em nossos tempos, especialmente depois da globalização, a adquirir enorme importância - não só para os indivíduos mas, também, para a nações e para a sociedade em geral - levantando problemas econômicos, políticos, sociais e mesmo culturais. Torna-se, portanto, necessário indagar sobre a própria essência do que é Tecnologia. Isto é, urge meditar filosoficamente sobre o significado e o sentido do que se chama Tecnologia.
Grandes filósofos já vinham, desde o início do século, preocupando-se com a Técnica. Oswald Spengler, o festejado autor do best-seller filosófico dos anos trinta, "A Decadência do Ocidente", tratou do assunto no seu "O Homem e a Técnica". Nesse ensaio o homem é visto como animal de rapina, usando a Técnica como sua arma. Depois disso, Ortega y Gasset publicou, em jornal argentino - se não me engano, "La Nacion" - uma série de artigos que vieram a anfeixar o volume "Meditacion de la Técnica", editado pela Revista do Ocidente, em 1939. Esse interesse filosófico chegou a motivar as meditações de um dos maiores filósofos deste século, Martin Heidegger, em seu ensaio, "A Questão da Técnica", cujo original alemão apareceu em 1953. Contudo, talvez com exceção desse último, não creio que eles estivessem conscientes que o interesse maior não mais estava no estudo da Técnica, mas, sim, no da Tecnologia. Isto é, de que as atividades técnicas não eram mais resumíveis ao trabalho manual ou mecânico sobre materiais ou construção de obras. De que, entre os técnicos dos nossos tempos, haviam os tecnologistas, formados em escolas superiores, que aplicavam teorias, métodos e processos científicos para a solução de problemas técnicos. Isso veio trazer uma simbiose entre Técnica e Ciência cujos efeitos estavam longe de ser previstos, como determinantes dos destinos da humanidade.
A Técnica é tão antiga quanto a humanidade. Há mesmo a idéia, entre antropólogos, de que o que distinguiria os restos fossilizados de um homem dos de um hominídeo seria a presença, junto ao primeiro, de instrumentos por ele fabricados. Contudo, há a opinião de Levi-Strauss de que os índios Nhambiquaras eram tão primitivos que nem mesmo possuíam Técnica - o que, curiosamente, é desmentido no seu próprio livro "Tristes Tropiques", suscitando a idéia de que por mais primitiva que seja a sociedade sempre há Técnica, por mais simples que seja. Ortega y Gasset chama a esse estágio primitivo da Técnica de "técnica do acaso (azar)", suposto que, nesse estágio, a fabricação dos instrumentos não se diferenciava muito dos seus atos naturais. Assim sendo, os atos técnicos não seriam privativos de certos indivíduos mais aptos, mas igualmente efetuados por todos de uma mesma comunidade.
Contudo, é de acrescentar a Ortega que o pensamento humano é simbólico; ou seja, sempre interpõe entre os objetos percebidos e a mente um símbolo, dos quais os mais imediatos são as palavras da linguagem. Essas têm a propriedade de se conotarem entre si, no sentido de sugerirem ao homem um progresso nos seus conhecimentos. Entre pedra lascada e cortar há, por exemplo, uma conotação que permite a melhoria do instrumento; isto é, poli-lo para cortar melhor. Assim, uma vez obtido, por acaso, um instrumento, instala-se - a princípio muito lentamente - um processo de desenvolvimento técnico.
Foi isso que permitiu a Ortega e Gasset conceber um segundo estágio da Técnica; que ele chama de "técnica do artesanato", em que os atos técnicos são ensinados de geração a geração, incluindo a invenção e o aperfeiçoamento dos instrumentos. É nesse estágio que aparecem certos homens dotados de maior habilidade e que se encarregam das funções técnicas, dedicando a eles a sua vida. São os artesãos, com seus mestres e aprendizes. O aprendizado progride até o ponto de escreverem-se tratados para o ensino das técnicas às gerações futuras.
Com o advento da ciência moderna, no século 17, abriu-se a possibilidade da aplicação de conhecimentos científicos para resolver problemas técnicos. É o caso da máquina a vapor e, mais especificamente, do gerador e do motor elétrico. Surge, então, um terceiro estágio da técnica, ao qual Ortega y Gasset dá o nome de "técnica dos técnicos". Nela é que se dá o trânsito da mera ferramenta do artesão para a máquina que atua por si mesmo. O homem passa a ser um auxiliar da máquina, como operário, mas surge aquele que sabe projetar, construir e conservar as máquinas, o engenheiro, cujos métodos de ação são muito próximos dos métodos dos cientistas: analisa o problema a ser resolvido, dividindo-o em partes; e o resolve a partir da mais simples, experimentando os resultados parciais e concatenando-os em séries de causas e efeitos.
Ortega não viu, entretanto, que, em seu próprio tempo, já vinha surgindo uma radicalmente nova etapa de desenvolvimento técnico, isto é, a Tecnologia. Não se tratava mais de aplicar conhecimentos científicos para construir uma determinada obra ou fabricar um determinado produto, como o fazem a engenharia, a arquitetura, a indústria ou a agropecuária, mas, sim, de resolver problemas técnicos de uma forma generalizada, como faz a Ciência, com suas teorias. Pode-se dizer, por exemplo, que o surgimento de uma tal atividade tecnológica deu-se com as pesquisas de Edison, em seu laboratório de Menlo Park, para obter um metal que servisse para os filamentos de lâmpadas elétricas, que pudesse emitir luz, encandecendo sem, porém, fundir-se. Um outro exemplo é a descoberta das válvulas termoiônicas por John Ambrose Fleming, físico inglês, e Lee e De Forest, PhD pela Universidade de Yale, para seu uso na transmissão e recepção radiofônica. Assim, a pesquisa de propriedades de materiais e o desenvolvimento da eletrônica estão na origem dessa atual etapa da técnica: a Tecnologia, a qual não prescinde da pesquisa tecnológica. Não há Tecnologia se não houver pesquisa tecnológica. E essa é muito semelhante à pesquisa científica.
(*) Professor emérito da Escola Politécnica (Poli), da Universidade de São Paulo (USP) e diretor da Thaemag Engenharia. Este artigo já foi publicado pela revista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp)
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segunda-feira, 3 de junho de 2013

Leitura, Literatura e Tecnologias - alguns links sobre o assunto

A tecnologia e as ferramentas tecnoloógicas invadem o nosso cotidiano, alterando a forma como nos comunicamos, nos relacionamos, trabalhamos e aprendemos.
Pensando no assunto e na área de Letras encontramos alguns links úteis sobre as conexões entre leitura, literatura e as suas relações com a tecnologia.



LITERATURA E TECNOLOGIA: UMA PARCERIA POSSÍVEL- http://www.cielli.com.br/downloads/281.pdf

Uso de Blogs no Processo de Aprendizagem de Literatura no Ensino Médio- http://seer.canoas.ifrs.edu.br/seer/index.php/tear/article/view/14




Clássicos digitais em inglês- www.gutenberg.org/wiki/Main_Page
 Pelo Projeto Gutenberg, é possível acessar e-books clássicos da literatura mundial para leitura online ou download para leitura em tablets e e-readers.

Ler no tablet ou no papel – eis a questãohttp://abmeseduca.com/?p=4927


Site Livro e Game- que contém classicos da literatura transformados em games- http://abmeseduca.com/?p=4927

sábado, 27 de abril de 2013

Eu leio, e recomendo!


"Tenho reticências que vivem pegando no meu pé, alguns parágrafos incompletos, frases que começam sem nexo, textos que não se desenvolvem, ideias que mudam de lugar, pontos finais e sílabas que não se casam".

Clarissa Corrêa

Essa é uma das mensagens que Clarissa tem deixado em sua página no facebook. Ela é graduada em Letras/Espanhol e é uma excelente escritora, muito conhecida. Acho muito interessante esse tipo de iniciativa: usar o facebook como ferramenta literária, na qual podemos refletir e adquirir conhecimentos.

Eu curto a página de Clarissa e recomendo!

Por Bruna Leal.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Dica de documentário

Quem somo nós?
Segue abaixo a primeira parte do documentário "Quem somos nós". Uma provocação para que cada um pense mais em si mesmo, nas suas escolhas,  nos seus caminhos e como tudo isso está interligado a forma como alteramos a realidade. 


Painel da subjetividade - Quem somos nós?
































Quem somo nós? Comentem, discutam, reflitam, coloquem suas impressões sobre o painel que construímos para representar quem somos. 


Meu sonho


Meu sonho
Eu
Cavaleiro das armas escuras,
Onde vais pelas trevas impuras
Com a espada sangüenta na mão?
Por que brilham teus olhos ardentes
E gemidos nos lábios frementes
Vertem fogo do teu coração?
Cavaleiro, quem és? o remorso?
Do corcel te debruças no dorso…
E galopas do vale através…
Oh! da estrada acordando as poeiras
Não escutas gritar as caveiras
E morder-te o fantasma nos pés?
Onde vais pelas trevas impuras,
Cavaleiro das armas escuras,
Macilento qual morto na tumba?…
Tu escutas… Na longa montanha
Um tropel teu galope acompanha?
E um clamor de vingança retumba?
Cavaleiro, quem és? – que mistério,
Quem te força da morte no império
Pela noite assombrada a vagar?
O Fantasma
Sou o sonho da tua esperança,
Tua febre que nunca descansa,
O delírio que te há de matar!…

ÁLVARES DE AZEVEDO

POEMA AO ENCONTRO COM A SUBJETIVIDADE


POEMA AO ENCONTRO COM A SUBJETIVIDADE

Que somos, excelentemente e essencialmente, afinal?
O que nos torna, simultaneamente, corpo e alma?
Será o problema mais importante que sua resolução?
É o poeta, medíocre ante a poesia?

Quantos e tantos eruditos buscaram respostas.
Viveram a procura da essência e do princípio do cosmos, da physis, do homem.
Poderia o homem, em sua petulância avassaladora,
Teorizar misterioso e ontológico conhecimento desconhecido?

Muitos especularam e outros hipotetizaram.
Os modernos revolucionaram com sua perfeita Razão e o seu conhecimento inato.
Mas, eis em algo no qual concordo com Descartes: que duvido.
Como limitar o desconhecido à apreensão do que já nasceu limitado.

Os medievais dogmatizaram o conhecimento! Essa crítica ressoa pelos séculos.
Porém, se arraigamos nas mentes que a razão a priori é o conhecer puro;
Ou que, só se pode conhecer a partir da experiência
O que será, então, tal consentimento?

Talvez a única distância que existe entre os sábios seja somente o Cronos.
Uns buscaram seus objetivos através de grandes teorias;
Já outros, afundaram-se em inexauríveis sistemas e plausíveis métodos.
Vejam!  Suas teorias, sistemas e métodos não se coincidem?
As épocas nascem, morrem e nascem novamente, mas a busca é a mesma: desvelar o velado.
Acreditou-se por muito tempo em paradigmas divinos como verdade perpétua.
Houve momentos em que o experimental e o sensualismo ditavam as regras.
Insistiu-se, por vários anos, piamente em uma “Ideia” (suprema).

Imanentemente esta é a condição do homo sapiens sapiens:
Explicar o inexplicável; alcançar o inalcançável.
Já dizia Popper, em relação à aquisição da verdade, que só podemos conjecturar.
O homem pode, portanto, afirmar que dela se aproximou, mas não a tocou.

Por mais que tentemos entender o oculto,
A essência das coisas e do ser em si,
Permaneceremos, até o atual momento se evidencia, neste constante jogo paradoxal:
Só conheceremos o que dele desconhecemos.

Que somos, de fato, afinal?
Somos atributos concebidos pela nossa subjetividade.
Formas teóricas, oriundas de convenções intelectuais em consenso.
Não somente isso! Somos natureza postergada e imanente ao futuro, ao incompreensível.

Somos imaginação, pura metáfora!
Cavaleiros honorários da racionalidade:
Que cria e recria o seu reino que nunca foi e jamais será... a verdade!
É apenas suas construções linguísticas ludibriantes.

Volta e meia intitulamo-nos grandes e poderosos.
Lançamo-nos no mar da soberba e da vaidade.
Montamos e remontamos universos, falaciosos, conceituais.
Brincamos e nos filiamos à mentira chamando-a de verdade.

Ouçam principados e potestades da “Ratio”:
Como insistem em proclamar, ao som de trombetas, a prisão da verdade?
Não será audacioso de vossas partes asseverarem que a detém,
Já que, pouco se preocuparam com a “coisa em si”?

Oh, ínfima subjetividade vaidosa
Que fique claro que somos inerentes! Corpo e alma!
Não temos e nem construímos a verdade... somente ela mesma pode dar-se.
E, vez e outra, se mostra a nós como fagulha de brasa, que ao menor sopro natural se apaga.

Que entendas minha querida metade,
Assim como dizia o filósofo, já nascemos na perspectiva de um fim.
Esta (e não outras) é a única certeza que temos:
Somos enquanto somos e deixamos de ser porque somos.

                                                                                                                          Enderson Pereira.


Leia mais em: http://www.webartigos.com/artigos/poema-ao-encontro-com-a-subjetividade/79533/#ixzz2QmHpV0U1

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Leitura da semana. - "Um professor com nome"


Um professor com nome[1]
Nelson De Luca Pretto[2]

Conversava esses dias com minha filha e com algumas colegas, todas universitárias em São Paulo. O papo girava em torno dos seus futuros e de como estava a universidade. Meu vício de formação nunca me permite, nesses papos, deixar de fazer uma costumeira pergunta: quem é o seu professor de tal matéria?! Invariavelmente, a resposta era: não lembro o seu nome, não! Nas primeiras vezes que escutava esse depoimento ficava apenas um pouco impressionado, mas na medida em que isso se repetia, comecei a ficar seriamente preocupado. Será que os alunos de hoje não sabem nem mesmo os nomes dos seus professores? Isso tem algum significado ou essa é uma questão absolutamente secundária para esses tempos neoliberais?!
Lendo A TARDE dias atrás, deparo-me com carinhosa carta de um ex-aluno do Colégio Antônio Vieira relembrando Pe. Ugo Meregalli, que acabara de nos deixar. Emocionado, pensava na importância de Pe. Ugo nas vidas de muitos adolescentes do Vieira, a exemplo da minha. Essa leitura remeteu-me ao início de minha formação e do meu próprio trabalho de professor, formado na labuta diária de dar aulas em uma quantidade enorme de escolas de Salvador e Feira. Ao longo de minha formação, alguns mestres marcaram o meu cotidiano de aluno e, com certeza, me fizeram ser um professor, digamos, um pouquinho diferente. Um desses mestres foi Pe. Ugo. Fui seu aluno muito pouco tempo. Tive alguns bons professores, mas Pe. Ugo destacava-se por algo que sempre me deixou intrigado: ser um professor absolutamente rigoroso e seguro no seu metiê e, ao mesmo tempo, um profissional que essencialmente acreditava no ser humano – inclusive em nosotros, uns pequeninos bagunceiros e aprontadores de primeira! – com uma preocupação de justiça social que não se prendia a discursos e retóricas, mas fundada numa prática diária. Uma prática alegre, materializada, entre outras tantas coisas, nas verdadeiras maluquices que ele inventava, como nas tais histórias dos tubarões e pobres, que a carta aqui em A TARDE tão bem rememorou.
Ugo Meregalli, sim, como nome e sobrenome, não passaria pela vida de nenhum estudante, por menor tempo que fosse, sem uma forte lembrança do seu nome e de sua presença.
A escola tinha um outro ritmo, é verdade. Não vivíamos um momento de tanta associação da educação com o mercado, como se a educação fosse um simples produto que devesse ser vendido e comprado. A mercantilização da educação, com a proliferação generalizada de escolas, faculdades e até universidades, traz de bom o fato de ampliarmos o número de vagas, possibilitando o acesso ao ensino superior a um número maior de cidades. No entanto, uma nova questão surge e já nos inquieta: que tipo de educação estamos oferecendo? Que tipo de escola estamos implantando e, principalmente, que cidadão está sendo formado por nossas escolas. Está sendo colocado no mercado um número muito grande de profissionais, mas será que esse pragmatismo da formação aligeirada e tão voltada para um mercado que nem tão concreto é, não está nos levando a um jeito de “educar para vencer” a qualquer custo, com profissionais que só aspiram ao pódium, isto é, “sair direto da faculdade para a diretoria”, “ser o primeiro em tudo”, “entrar no mercado de trabalho sem pegar fila”, como dizem os inúmeros outdoors de faculdades espalhados pela cidade?!
Por outro lado, com esse aumento quase alucinado, também se ampliam os postos para professores e, estes, diferentes dos nossos antigos mestres, terminam, também eles, sendo profissionais quase que descartáveis, que podem ser substituídos de forma quase automática quando algo não funciona a contento. Professores e professoras que passam pela vida dos estudantes sem uma identidade, sem rosto, sem um significado maior, como aquele dado por Pe. Ugo quando nos empurrava, literalmente, para compreender melhor o mundo das funções, da geometria, dos cálculos. Quando nos levava a entender as dificuldades de resolver essa equação existencial contemporânea, de tantas variáveis, que não consegue dar conta de algo mais sublime que é o respeito pelo ser humano e pela igualdade social. Padre Ugo deixa saudades, mas também uma lição: ser professor é, antes de tudo, considerar o ser humano e querer uma sociedade menos desigual.





[1] Publicado no Jornal A Tarde em 30/05/2002.
[2] Nelson De Luca Pretto é Doutor em Comunicação e diretor da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia. http://www.ufba.br/pretto